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>Revisão Literatura 3º ano

maio 25, 2011

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MODERNISMO GERAÇÃO 22






A Semana de Arte Moderna marcou a data (1922), sem dúvida, do rompimento definitivo com a arte tradicional. Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas quebraram as regras preestabelecidas na cultura.


A primeira fase (1922 a 1930) caracterizou-se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas.


Imbuídos da convicção de que se faziam uma arte nova com um novo espírito, os primeiros modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico em voga na época que cultivava uma poesia formal. Propunham uma ruptura com princípios e técnicas, uma renovação radical na linguagem e nos formatos.


Dentre os muitos poetas que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida.










MODERNISMO GERAÇÃO 30






Em 1926, ocorre um congresso em Recife e nele se encontram escritores do Nordeste; estes se dispõem, aos poucos, a fazer uma prosa regional consistente e participativa. É dessas primeiras manifestações que surgirá um dos momentos mais autênticos da literatura brasileira, o Romance de 30.


A data de 1930 é marcante porque consolida a renovação do gênero romance no Brasil, ou seja, traz novos rumos à prosa. Depois de tanta arruaça intelectual dos primeiros modernistas no Sudeste do país, procura-se atingir equilíbrio e estabilidade, que, aos poucos, vai aparecendo em obras e mais obras: O quinze, de Rachel de Queiroz (1930); O país do Carnaval, de Jorge Amado (1931); Menino de engenho, de José Lins do Rego (1932); São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934); e Capitães da areia, de Jorge Amado (1937).


Esta nova literatura em prosa será antifascista e anticapitalista, extremamente vigorosa e crítica. Os livros didáticos a chamam com vários nomes: “Romance de 30” (porque é o início cronológico da nova literatura); romance neo-realista (porque essas obras conseguiram renovar e modernizar o realismo/naturalismo do século 19, enriquecendo-o com preocupações psicológicas e sociais) ou romance regionalista moderno (porque escapa das metrópoles e vai ao Brasil regional, preso ainda a antinomias dos séculos anteriores).


Mais do que tudo, através dessa “fala”, consolidaram em suas obras questões sociais bastante graves: a desigualdade social, a vida cruel dos retirantes, os resquícios de escravidão, o coronelismo, apoiado na posse das terras – todos problemas sociopolíticos que se sobreporiam ao lado pitoresco das várias regiões retratadas.






CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS






VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA


Manuel Bandeira






Vou-me embora pra Pasárgada


Lá sou amigo do rei


Lá tenho a mulher que eu quero


Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada






Aqui eu não sou feliz


Lá a existência é uma aventura


De tal modo inconseqüente


Que Joana a Louca de Espanha


Rainha e falsa demente


Vem a ser contraparente


Da nora que nunca tive


E como farei ginástica


Andarei de bicicleta


Montarei em burro brabo


Subirei no pau-de-sebo






Tomarei banhos de mar!


E quando estiver cansado


Deito na beira do rio


Mando chamar a mãe-d’água


Pra me contar as histórias


Que no tempo de eu menino


Rosa vinha me contar


Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo


É outra civilização


Tem um processo seguro


De impedir a concepção


Tem telefone automático


Tem alcalóide à vontade


Tem prostitutas bonitas


Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste


Mas triste de não ter jeito


Quando de noite me der


Vontade de me matar






— Lá sou amigo do rei —






Terei a mulher que eu quero


Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada.










Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira”, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90


O BICHO






Vi ontem um bicho


Na imundice do pátio


Catando comida entre os detritos.






Quando achava alguma coisa;


Não examinava nem cheirava:


Engolia com voracidade.






O bicho não era um cão,


Não era um gato,


Não era um rato.






O bicho, meu Deus, era um homem.










Manuel Bandeira


HÁ UMA GOTA DE SANGUE EM CADA POEMA


Assim como há resquício de barro


Nas estradas asfaltadas


E ruínas pelo impacto das guerras e catástrofes


Há em cada poema uma lágrima (trecho)


Mário de Andrade


BORBOLETAS






Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.


As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.


Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.


As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.


Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.


O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.


No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!


Mário Quintana






E AGORA, JOSÉ?






A festa acabou,


a luz apagou,


o povo sumiu,


a noite esfriou,


e agora, José ?


e agora, você ?


você que é sem nome,


que zomba dos outros,


você que faz versos,


que ama protesta,


e agora, José ?






Está sem mulher,


está sem discurso,


está sem carinho,


já não pode beber,


já não pode fumar,


cuspir já não pode,


a noite esfriou,


o dia não veio,


o bonde não veio,


o riso não veio,


não veio a utopia


e tudo acabou


e tudo fugiu


e tudo mofou,


e agora, José ?






E agora, José ?


Sua doce palavra,


seu instante de febre,


sua gula e jejum,


sua biblioteca,


sua lavra de ouro,


seu terno de vidro,


sua incoerência,


seu ódio – e agora ?






Com a chave na mão


quer abrir a porta,


não existe porta;


quer morrer no mar,


mas o mar secou;


quer ir para Minas,


Minas não há mais.


José, e agora ?






Se você gritasse,


se você gemesse,


se você tocasse


a valsa vienense,


se você dormisse,


se você cansasse,


se você morresse…


Mas você não morre,


você é duro, José !






Sozinho no escuro


qual bicho-do-mato,


sem teogonia,


sem parede nua


para se encostar,


sem cavalo preto


que fuja a galope,


você marcha, José !


José, pra onde ?










Carlos Drummond de Andrade






SONETO DE SEPARAÇÃO






De repente do riso fez-se o pranto


Silencioso e branco como a bruma


E das bocas unidas fez-se a espuma


E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento


Que dos olhos desfez a última chama


E da paixão fez-se o pressentimento


E do momento imóvel fez o drama.


De repente, não mais que de repente


Fez-se de triste o que se fez amante


E de sozinho o que se fez contente


Fez-se do amigo próximo o distante


Fez-se da vida uma aventura errante


De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Morais


O QUINZE






Depois de se benzer e de beijar duas vezes a medalhinha de São José, Dona Inácia concluiu:


”Dignai-vos ouvir nossas súplicas, ó castíssimo esposo da Virgem Maria, e alcançai o que rogamos.


Amém.” Vendo a avó sair do quarto do santuário, Conceição, que fazia as tranças sentada numa rede ao canto da sala, interpelou-a:


– E isto chove, hein, Mãe Nácia? Já chegou o fim do mês… Nem por você fazer tanta novena…


Dona Inácia levantou para o telhado os olhos confiantes:


– Tenho fé em São José que ainda chove! Tem-se visto inverno começar até em abril.


Rachel de Queiroz






Vidas Secas de Graciliano Ramos e a música Asa Branca de Luiz Gonzaga.


Asa Branca


Gonzaguinha










1-Quando oiei a terra ardendo


com a fogueira de São João


Eu perguntei, a Deus do céu, ai


Por que tamanha judiação(2x)


2-Que braseiro, que fornaia


Nem um pé de prantação


Por falta d’água perdi meu gado


morreu de sede meu alazão(2x)


3-Inté mesmo a asa branca


Bateu asas do sertão


Entonce eu disse adeus Rosinha


Guarda contigo meu coração(2x)


4-Hoje longe muitas légua


Numa triste solidão


Espero a chuva cair de novo


Para mim vorta pro meu sertão(2x)


5-Quando o verde dos teus olhos


Se espalhar na prantação












LEIA CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS.











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